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Depois de quase um século de espera, o Engenheiro Taveira vive a maior transformação de sua história

Publicado em 31 de julho de 2026, às 15:38 Atualização: 31/07/2026, às 15:46 Depois de quase um século de espera, o Engenheiro Taveira vive a maior transformação de sua história

Fundado em 1927 às margens da ferrovia, o bairro Engenheiro Taveira começa a superar uma espera de quase um século por infraestrutura. A Prefeitura de Araçatuba entrega a maior obra já realizada no bairro, com investimento de R$ 10.741.400,50 em pavimentação e drenagem, e já prepara novas intervenções para ampliar as melhorias, incluindo estudos para novas ruas asfaltadas e a reforma da escola municipal.

 

A obra entregue contempla 4,65 quilômetros de pavimentação e 3,18 quilômetros de rede de drenagem, fundamentais para resolver problemas históricos enfrentados pelos moradores. Do investimento total, R$ 5.861.400,50 foram destinados à implantação da drenagem e R$ 4.880.000,00 à pavimentação.

 

E outras melhorias já estão sendo preparadas. A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação desenvolve estudos para pavimentar o trecho da Rua São Paulo, que atende importantes equipamentos públicos, como a UBS Irmã Dulce, a Emeb Professora Selma Maria Trevelin de Jesus e a Escola Estadual Silvestre Augusto do Nascimento.

 

Também estão em andamento os procedimentos para a reforma da escola municipal do bairro, ampliando os investimentos em infraestrutura e oferecendo melhores condições para alunos, professores e toda a comunidade.

 

As iniciativas encontram-se em fase de estudos e trâmites administrativos e, por isso, ainda não possuem prazo definido para execução.

 

Vidas melhoradas


Entre os moradores, a obra é vista como uma mudança histórica: depois de anos de poeira, lama e dificuldades, o dia a dia finalmente começa a ficar mais leve.

 

O propagandista Carlos Eduardo Rosada Dias afirma que a realidade do local mudou completamente. Segundo ele, antes da pavimentação, as ruas eram um “caos”, principalmente em períodos de chuva, enquanto agora a mobilidade e as condições de acesso melhoraram significativamente. Hoje, chegar ao trabalho, à escola ou ao posto de saúde já não depende mais do humor do tempo ou da condição da estrada.

 

O operador de máquinas Marciano Nalin Moreira conta que a melhoria já motivou novos investimentos por parte dos moradores. Animado com a transformação da rua, ele iniciou a construção da calçada em frente à residência e prepara um acabamento com desenhos feitos em tijolinhos para valorizar ainda mais o imóvel. Para ele, a pavimentação representa um incentivo para que os próprios moradores cuidem da frente de suas casas. “Uma melhoria puxa outra”, disse. Em cada nova calçada, ele vê um pouco do orgulho de quem, depois de décadas, finalmente se sente valorizado.

 

A manicure Camile Borges destaca que a obra trouxe valorização ao bairro e ajudou, inclusive, os empresários locais. Ela, que tem seu salão na parte central, considera que a intervenção representa um grande avanço para os prestadores de serviço. Com o asfalto, clientes chegam com mais facilidade e o movimento ganha novo fôlego. “Ajuda quem empreende também”, enfatizou.

 

Já o servidor público Roberto Borges da Silva elogia a qualidade da execução da obra. Segundo ele, por conhecer o assunto, é possível perceber que o pavimento foi bem construído e que o serviço realizado atende a um padrão elevado, garantindo maior durabilidade para a infraestrutura implantada. “Pode passar um caminhão, que o asfalto aguenta”, destacou. Para os moradores, essa segurança significa não apenas uma rua melhor, mas a certeza de que o investimento foi feito para durar.

 

Com o novo asfalto, a rotina do bairro também se transforma: crianças conseguem chegar à escola sem enfrentar lama, ambulâncias acessam as casas com mais rapidez e trabalhadores não precisam mais planejar o dia de acordo com o barro ou a poeira na porta de casa.

 

Um bairro nascido nos trilhos


Muito antes de receber as primeiras ruas asfaltadas, o Engenheiro Taveira nasceu ao som dos trens. Em 15 de maio de 1927, a então Estrada de Ferro Noroeste do Brasil inaugurou a Estação Potiguara, marco que impulsionou o surgimento da comunidade. Em frente ao terminal ferroviário, a empresa J. Rangel & Cia. abriu os primeiros loteamentos que deram origem ao bairro.

 

Em 1931, a estação passou a se chamar Engenheiro Taveira, homenagem a um engenheiro ligado à construção da ferrovia. O ramal foi ampliado até Lussanvira em 1941, mas acabou desativado vinte anos depois. A ferrovia perdeu importância, porém o bairro permaneceu. Ao redor da antiga estação cresceram pequenas propriedades rurais, moradias de trabalhadores e famílias que criaram uma forte identidade com a vida no campo.

 

Quase um século depois, muitos descendentes daqueles primeiros moradores ainda vivem no bairro, preservando uma história construída ao longo de gerações.

 

Uma espera que atravessou gerações


Enquanto Araçatuba crescia, novos bairros surgiam e a infraestrutura urbana avançava, o Engenheiro Taveira seguia praticamente o mesmo. Década após década, ruas de terra faziam parte da rotina dos moradores.

 

Na estiagem, a poeira invadia as casas, cobria móveis, roupas, quintais e plantas. Bastava um veículo passar para levantar uma nuvem de terra. Nas chuvas, a lama tomava conta das vias, dificultando o deslocamento de trabalhadores, estudantes, produtores rurais e até de ambulâncias e ônibus escolares.

 

Pais viram os filhos crescerem enfrentando essa realidade. Depois vieram os netos, convivendo com os mesmos problemas. Ao longo dos anos, a espera pelo asfalto atravessou gerações e se transformou em uma das reivindicações mais antigas da comunidade, marcada em conversas de vizinhos, abaixo-assinados e pedidos nas reuniões de bairro.

 

Desafios


Embora a ordem de serviço tenha sido emitida em janeiro de 2024, com previsão inicial de conclusão em seis meses, o andamento foi comprometido por questões técnicas e administrativas. Atrasos e paralisações fizeram com que transtornos ocorressem e os moradores lidassem com lama e interdições que impediam até o recolhimento de lixo doméstico. Imóveis também apresentaram rachaduras, levando angústia a uma dezena de famílias.

 

Em meio a tudo isso, ao assumir a execução do projeto, a atual administração precisou intervir para que as obras fossem retomadas. Mas não era apenas isso. Novos desafios ainda surgiram. Foi preciso superar uma série de entraves técnicos, administrativos e jurídicos que não haviam sido contemplados no planejamento inicial.

 

Entre as medidas adotadas estiveram o remanejamento de postes da rede elétrica instalados no traçado da pavimentação, adequações em cercas de propriedades particulares, a supressão de árvores em pontos específicos e o início do processo de regularização de áreas ocupadas. Todas essas intervenções foram indispensáveis para viabilizar o avanço da obra.

 

Depois de quase cem anos convivendo com poeira na seca e lama nas chuvas, o bairro Engenheiro Taveira deixa para trás um dos capítulos mais longos de sua história. O asfalto encerra uma espera de gerações, mas representa, sobretudo, o começo de uma nova fase para uma comunidade que nasceu nos trilhos da ferrovia e, depois de tantas décadas de espera, finalmente encontra um caminho pavimentado de desenvolvimento.

 

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