Publicado em 14 de maio de 2018 às 10:51

Nos dias 10 e 11 de maio, na Unip Araçatuba, a Vigilância Epidemiológica Municipal de Araçatuba realizou um evento de capacitação sobre a linha de cuidado da microcefalia associada ao Zika vírus e a importância da notificação e cuidados em relação ao seu fator agravante chamado toxoplasmose gestacional e congênita.

O público alvo se dividiu com médicos e enfermeiros no dia 10 e agentes comunitários de saúde no dia 11. Os palestrantes foram os professores doutores Italmar Teodorico Navarro e Regina Mitsuka Breganó, ambos da universidade estadual de Londrina. A capacitação é um programa conjunto dos grupos de vigilância epidemiológica municipais e estadual (GVE) com o Ministério da Saúde.

A secretária municipal de Saúde de Araçatuba, Carmem Guariente, deu as boas vindas aos participantes e destacou a coordenação estadual: “Falo da importância de usarmos todos os nossos recursos, pois a saúde se faz em parceria, não se faz sozinha. Agradeço a cada vez que o Grupo de Vigilância Estadual (GVE) assume a coordenação da região, para trabalharmos em conjunto, pelo apoio para que consigamos “fazer saúde”. Isto significa estar vigilante, atentar ao que está acontecendo e tomar as medidas com antecedência, sobre questões que podem ser evitadas; Também à parceria com a UNESP, pois ter uma universidade junto é muito importante, para o binômio ciência e prática”.

Milene Ura Seixas Santos Dias, diretora técnica de Saúde II do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) do Estado de São Paulo, introduz que a microcefalia intimamente ligada ao zika vírus pode ser descartada através dos exames de toxoplasmose. “Esse evento vem para somar conhecimentos dos médicos e enfermeiros da região com casos suspeitos. Nós do GVE damos apoio técnico, principalmente sobre a notificação em tempo oportuno, com assistências e orientações para as vigilâncias municipais. Oportunidade em que o GVE se uniu com a Secretaria Municipal de Saúde e a Vigilância municipal e com a parte acadêmica veterinária da UNESP, uma equipe multidisciplinar com médicos , enfermeiros, veterinários, secretários de Saúde, engajados em prol do bem da população e com olhar especial para as gestantes e crianças”.

Microcefalia não é só Zika

“Sobre a Toxoplasmose, estamos perdendo a mão com as coisas mais simples e, quando vemos, já nos deparamos com situações muito graves, que poderiam ser evitadas com ações investigativas, preventivas e de cuidado dia-a-dia: Não é só a zika virus. A toxoplasmose está já há muito tempo causando microcefalia”, ressalta a secretária municipal.

Aline do Nascimento Benitez, médica veterinária araçatubense, formada na UEL(Universidade Estadual de Londrina), conta que acompanhou a implantação e o êxito do programa de vigilância da toxoplasmose gestacional e congênita no Paraná, voltou para fazer pós-doutorado na Unesp de Araçatuba e trouxe a proposta de implantação do programa para o noroeste paulista.

Segundo Benitez, o projeto foi apresentado em CIR (Comissão Intergestores Regional), para 40 secretários municipais de saúde, através do GVE, dos quais treze manifestaram interesse em participar do programa, que visa prevenção de modo que a gestante não adquira o toxoplasma e o bebê não seja contaminado pelo parasita, que pode causar danos como cegueira, surdez, hidrocefalia, microcefalia, má formação e até aborto, entre outros.

“As vigilâncias está muito ‘em cima’ da microcefalia pelo zika, pois são os responsáveis pela notificação. A mídia vulgarizou a microcefalia com relação ao zika vírus, mas a VE (epidemiológica) e a VS (sanitária) fazem as buscas ativas e sabem as verdadeiras origens e condições disso. Mesmo que não seja zika, o bebê continua precisando ser cuidado. Estamos aqui para dizer que pode ser toxoplasmose e que se pode prevenir capacitando sobre lavar alimento e não comer carne crua”, resume.

“Trabalhamos em parceria com a vigilância epidemiológica porque queremos aumentar a notificação dos casos, fazer busca ativa da gestante para que tenha um pré-natal adequado e procure posto de saúde; as secretarias estão todas envolvidas no sentido de nos apoiar para que façamos capacitação; fizemos parceria com o Instituto Adolfo Lutz, que vai colaborar na confirmação da triagem dos testes sugestivos de positividade”, descreve a veterinária.

“Temos várias estratégias, cada uma adequada à situação do município, para que consigamos encontrara a gestante, fazer com que entenda o que é toxoplasmose e saiba se prevenir. Estamos aqui como veterinários para também desmistificar que, mesmo sendo chamada de doença do gato, não tem nada a ver com o animal, pois é uma doença alimentar, contraída através de verdura e frutas mal lavados, carnes contaminadas malpassadas”, esclarece.

Benitez acrescenta: “ Itamar e Regina são os mentores da estratégia lançada em algumas cidades e que se espalhou e hoje tem parceria com o Ministério da Saúde, tendo sido implantado no estado do Paraná inteiro. Somos todos voluntários, colaboradores, UNESP, vigilância, mestrandos, doutorandos, especialistas.