Publicado em 14 de dezembro de 2017 às 16:09

Para fechar com chave de ouro o “Dança Araçatuba”, a Secretaria Municipal da Cultura apresenta, nesta sexta-feira (15), às 20h, no ginásio Plácido Rocha, uma das principais companhias de dança do Brasil, a Cia. Ballet Stagium, , com os espetáculos “Memórias” e “Preludiando”.

Os diretores Marika Gidali e Décio Otero se uniram para uma série de programas didáticos sobre as diversas vertentes da dança para a TV Cultura e, assim, nasceu o Ballet Stagium, em 23 de outubro de 1971. Hoje, já tem 46 anos de existência.

Desde o início, a Cia apresenta estética e linguagem inovadoras, unindo o espetáculo da dança com a realidade nacional. Viajando pelo Brasil, os diretores perceberam a necessidade de despojamento e coerência com a realidade em que viviam os brasileiros.

A partir de então, o questionamento a respeito do ofício de ambos levou-os a incorporar os problemas nacionais nas apresentações artísticas da companhia, formando um repertório não apenas artístico, mas também social e pedagógico, misturando vertentes universais da dança com aspectos tipicamente brasileiros.

Primeira companhia nacional a utilizar trilhas sonoras da Música Popular Brasileira (MPB), o Ballet Stagium já realizou apresentações com músicas de Pixinguinha, Waldir Azevedo, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Lamartine Babo, Ari Barroso, Lina Pesce, Cartola e muitos outros, além de partituras originais feitas para a companhia por compositores como Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Wiliam Sena, Aylton Escobar, André Abujamra e Marcelo Petragli.

O palco do Stagium nunca seguiu um padrão, mas sempre se adaptou aos diferentes cenários encontrados por seus membros. Pátios de escolas públicas, favelas, cinemas, praças, hospitais, igrejas, presídios, estações de metrô, praias e rios, palcos flutuantes, chão de terra batido e desfiles de escolas de samba são alguns exemplos da diversificada forma de se realizar um espetáculo.

E, para somar a toda essa inovação, os integrantes da Cia. passaram a fazer aula-aberta com a plateia antes de cada apresentação, motivando o público a se interessar ainda mais pela dança.

Com isso, a companhia conquistou grande público em todo o Brasil, que não era acostumado com tal estilo artístico, além de, muitas vezes, ser avesso a manifestações coreográficas.

O Ballet Stagium também realiza cursos intensivos de férias, com frequência de bailarinos, estudantes e professores de todo o Brasil. Artistas de vários segmentos da cultura nacional já ministraram cursos e palestras à Companhia e aos amantes da dança.

Foi a primeira companhia profissional a desfilar em escolas de samba (Padre Paulo, de Santos em 1978, e Nenê da Vila Matilde, de São Paulo em 1984 e 2000). Confira algumas das mais marcantes apresentações:

1973 – Em um palco flutuante no lago do Parque do Ibirapuera, comemorando o aniversário de São Paulo

1974 – Barca da Cultura – sobre um tablado montado no convés da Barcaça Juarez Távora, percorrendo as cidades ribeirinhas do Rio São Francisco (de Pirapora a Juazeiro).

1977 – Posto Leonardo, tendo como público 11 tribos indígenas do Alto e Baixo Xingu

1982 – Hospital do Câncer em Carmen Prudente (SP)

1983 – Hangar da Varig no aeroporto de Congonhas (SP)

1990 – Morro da Conceição em Recife (PE); Buraco Quente da Mangueira no Rio de Janeiro

1991 – Calçada do Parque Trianon, em comemoração aos 100 anos da Avenida Paulista (SP); área de preservação ambiental em L’Aquila, na Itália

1991/2005 – Saguão do Prédio dos Ambulatórios do Hospital das Clínicas em São Paulo

1994 – Praça em Rio Preto da Eva, no interior de Manaus

1996 – Viaduto do Chá, em São Paulo

199/2004 – Unidades da antiga FEBEM de todo o estado de São Paulo

2002 – Presídio de segurança máxima em Campina Grande (PR)

1991/2016 – Escolas públicas de São Paulo

Também se apresentou no Pantanal, na Serra Pelada, em Carajás, na Favela da Rocinha e no Largo da Carioca.

Diretores de prestígio

Natural de Budapeste, na Hungria, Márika é bailarina, coreógrafa, professora e diretora artística. Seu trabalho é considerado de vital importância para o desenvolvimento da dança e educação no Brasil.

Já recebeu diversos prêmios como o Cultural Blue Life, Medalha de Ordem do Rio Branco, Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte; Prêmio “Mulheres do Mercado”; Prêmio Moinho Santista-Bunge e Prêmio SócioEducando.

Décio Otero nasceu em Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais. Em 1956 ingressou no corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, trabalhando com Tatiana Leskova, Maryla Gremo, Eugênia Feodorova, Denis Gray, Helba Nogueira, Leonide Massine, Willham Dollar, Vaslav Veltchek, Harald Lander e Nina Verchinina.

No Theatro Municipal dança, como primeiro bailarino, os ballets Yara, Romeu e Julieta, O Combate, Masquerade, Gaité Parisienne, O Compositor e Salomé.

Em 1959 recebe da ABCT o prêmio de Bailarino Revelação por sua atuação no pas de deux do Cisne Negro. Ele já foi premiado muitas outras vezes a partir de então.