Publicado em 25 de novembro de 2019 às 15:43

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura de Araçatuba apela ao sentimento dos araçatubenses que amam bichinhos de estimação, que queiram salvar vidas e tornarem-se as novas famílias de animais saudáveis que foram descartados em sua sede.

As baias do CCZ abrigam atualmente 41 animais, dos quais aproximadamente 50% ainda estão saudáveis para adoção, mas ficam muito próximos dos doentes e logo podem ser contaminados e até morrer. Até terça-feira (19), eram 25 cães adultos e filhotes, entre machos e fêmeas, mas já perderam três filhotes; são 17 gatos, também entre machos fêmeas e filhotes.

Tatiane Sampaio Moura Castro, veterinária do CCZ de Araçatuba, explica que é grande a ocorrência de descarte de animais saudáveis no local, prática indevida que acarreta em sobrecarga do espaço e alto risco à saúde animal. “As pessoas sempre abandonam, ou jogam na rua, ou até jogam aqui por cima do muro animais saudáveis, mas como aqui é um lugar onde recolhemos animais doentes, acabamos tendo que abrigá-los próximos uns aos outros e acabam adoecendo também. Precisamos de uma sensibilização da população para conseguirmos adoção mais rápida desses animais saudáveis, para que não dê tempo de ficarem doente por contato”, explica.

Função do CCZ

Dra. Tatiane  esclarece que a função do CCZ é de recolher animais que estejam comprovadamente doentes de raiva ou leishmaniose. “É o animal que oferece risco, tanto agressivo ou de transmissão de doença para a população, tanto humana como de outros animais”.

Ela destaca que não é qualquer doença que deve ser motivo para encaminhamento do animal ao CCZ, mas apenas as de risco zoonótico, transmissível ao ser humano. “Dores de ouvido, diarreia, se o animal não quer comer, ou doenças de pele, por exemplo, tem que ser tratadas por veterinário, não sendo obrigação da Zoonoses”.

A veterinária explica que não há procriação dentro do CCZ, pois são separados os machos das fêmeas em baias, além de serem castrados. “A ocorrência de filhotes é justamente por casos de abandono dos proprietários de animais que deram cria ou de que descartaram fêmeas em estado de prenhez, cujos filhotes acabam nascendo no local. Gatos eram jogados por cima do muro e andavam soltos pelo CCZ, mas foram todos recolhidos e castrados,  mantidos nas baias e, colocados para adoção. Os filhotes são os que mais sofrem porque ainda não têm imunidade suficiente”, acrescenta.

A profissional cita o exemplo de morcegos e escorpiões, como de uma casa onde havia um morcego caído na piscina. “Não é comum que tal animal sofra esse tipo de queda em ambiente estranho se não estiver doente. Assim como o escorpião, o morcego doente também transmite ao ser humano e pode provocar doença e morte”. Os casos de encontro de animais nessas condições devem ser comunicados ao CCZ para que sejam recolhidos com segurança e levados a análise em local e condições apropriadas, bem como servirão de base para estudo da área onde ocorreram, para possível analise de transmissão e contaminação.

A leishmaniose é diagnosticada através de exames laboratoriais e não tem cura. O tratamento existe apenas na rede particular.

“Nossa campanha será pensando no bem estar deles. Queremos livrá-los do risco de adoecerem desses males que só tem a eutanásia como solução. O processo de eutanásia é caro, mas é não-agressivo e indolor. Não provoca sofrimento porque o animal recebe primeiro a anestesia geral, ficam totalmente inconscientes como se fosse para uma cirurgia, e depois é feita uma medicação eficaz, que não oferece risco de sobrevida sofrível. Usamos sempre o melhor medicamento, recomendado pelo Ministério da Saúde”, garante Dra. Tatiane.

Para adotar

Os interessados pela adoção devem apresentar documentação pessoal, comprovante de residência e serem maiores de 18 anos. Ao visitarem o CCZ, serão acompanhados por responsável que esclarecerá as condições de saúde do animal. Também é garantido pelo CCZ que o animal adotado sairá saudável, com exame negativo de leishmaniose e vacina contra raiva.

Também é destacado que o ideal é que o interessado tenha condições financeiras e local apropriado para criar os animais, pois os animais podem futuramente apresentar problemas de saúde e precisam ser cuidados devidamente. O adotante então assina um termo de guarda pelo qual é responsável por qualquer doença que o animal venha a ter após a adoção, comprometendo-se a prover as vacinas necessárias e socorro à saúde do mesmo pelo resto da vida dele.

“Depois de sair daqui, a pessoa tem que entender que o animal passa a ser como um membro da família, que merece os mesmos cuidados e carinho, não devendo abandonar, descartar o animal só porque ficou doente”, incentiva a especialista.