Publicado em 23 de dezembro de 2021 às 18:00

Objetos indígenas que compõem o acervo histórico e cultural do Museu Histórico e Pedagógico Marechal Cândido Rondon deixaram o seu lar e ficarão fora pelos próximos meses, mas por um motivo muito nobre: eles passarão por um processo de preservação e restauração.

Utensílios, armas, acessórios, instrumentos musicais e outros objetos originais da tradição indígena pertencentes ao acervo araçatubense começam ser restaurados por integrantes da Assindar – Associação indigenista de Araçatuba e região.

O presidente da Assindar, Ricardo Godói Terena, além de Pablo Godói Terena e o equatoriano Amaru, nome artístico do também indígena Luis Ronaldo Cacuango Córdova, são os integrantes da equipe que está tratando de tudo, nas dependências do MAAP – Museu Araçatubense de Artes Plásticas.

Segundo Tieza Lemos Marques, secretária municipal de Cultura de Araçatuba, a suspensão das visitas públicas ao museu Marechal Cândido Rondon foi solicitada em 2017, em razão do estado estrutural do local, que encontrava-se danificado por infestação de cupins. “Além da descupinização, constatamos que seria necessária a revitalização completa dele, tanto da parte física como de seu acervo, que é riquíssimo, diversificado, dentro do qual se encontra o acervo do índio. São muitas peças de valor histórico imenso”.

A Assindar está fazendo esta restauração e análise do acervo, preparando para depois proceder a catalogação, que exige que as peças estejam íntegras. “Araçatuba tem esse privilégio de ter em seu território uma associação indigenista. Além desse trabalho operacional e artesanal, eles tem uma ligação afetiva muito grande com essas peças. É interessante que eles vêm executar o trabalho com esses acessórios da indumentária indígena, como cocares, roupas, colares, além dos itens de proteção, como uma forma de aproximação dos antepassados. É um trabalho cultural realmente diferenciado”.

A Assindar ocupa com o sede uma das casas da antiga vila ferroviárias, cedida a título de uso precário. Foi contratada para esta fase inicial de avaliação e separação, pois há também itens em estado de impossível recuperação, que terão sua existência em registro descritivo e fotográfico, mas que serão descartados. As outras partes serão catalogadas e acondicionadas dentro das exigências técnicas, para que sejam, posteriormente, devolvidas ao Museu restaurado.

Tieza esclarece que a associação presta o serviço por meio de contratação direta, ao valor de R$ 17,5 mil (dezessete mil e quinhentos reais) em razão de sua especificidade. “Eles tem expertise, estávamos procurando alguém que tivesse essa qualificação. Não é uma mesa antiga, um móvel qualquer. Trata-se de um acervo museológico. O museu não é só o móvel. Um museu é o que ele contém”.

O presidente Terena, museólogo, descreve a responsabilidade sobre o serviço. “Já estamos já há 30 dias neste trabalho. Não faremos só a restauração, mas temos também a responsabilidade da conservação, preservação e acondicionamento dos acervos que estamos recuperando. Nosso trabalho consiste em trazer vida ás peças, tudo de forma manual, de acordo com sua originalidade e com o respeito que merecem”, considera.

“Para mim é uma honra restaurar o acervo do meu povo. Amo o que faço, adoro esse tipo de trabalho e agradeço pela confiança depositada em nós”, declara.

A Assindar existe há 5 anos e tem associados das etnias Caigangue, Guarani e Terena, que cuidam da casa. A sede está na rua XV de Novembro, nº 73, centro, ao lado do Camelódromo. O espaço é aberto a visitação e acolhe indígenas, tanto brasileiros como estrangeiros.